Como ler (e entender) os rótulos de vinho

access_time 2020 · 10 · 09

Muitas vezes escolhemos um vinho por recomendação. Sabemos o nome, procuramos o vinho em uma loja ou pedimos direto a garrafa, sem sequer lermos o que diz o rótulo. No entanto, os rótulos dos vinhos costumam conter informações importantes sobre a bebida contida na garrafa, e saber ler estas informações pode ser um fator-chave na escolha do vinho correto. Se você não sabe como fazer isso, apresentamos aqui algumas dicas.

  •  Velho Mundo ou Novo Mundo?

Antes de mais nada, e para compreender o rótulo de maneira mais fácil, é melhor distinguir o vinho segundo o país de origem. Pode ser do Velho Mundo (isto é, Europa, Mediterrâneo ou regiões da Ásia Ocidental) ou do Novo Mundo (qualquer país que não seja um dos lugares já mencionados, como a Austrália, Chile, Estados Unidos, África do Sul ou Nova Zelândia). Esta primeira classificação é muito importante porque os rótulos de vinho do Velho Mundo geralmente informam a região e o ano, mas não as variedades; o estilo do vinho é mais importante que a cepa em si. É o que ocorre, por exemplo, com os vinhos de Rioja (à base de Tempranillo, entre outras variedades), Borgonha (Pinot Noir ou Chardonnay), Chianti (Sangiovese) e Bordeaux (Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc, entre outras cepas). Já nos vinhos do Novo Mundo, cujas regiões de origem são menos conhecidas, o foco está em indicar no rótulo a variedade e sua safra.

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  • Produtor ou marca

Esta informação, que pode estar tanto em letras grandes quanto muito pequenas, refere-se a quem fez o vinho. Às vezes os vinhos têm um nome (ou marca), ao invés de informar a adega ou o produtor. Neste caso, geralmente é possível encontrar o nome do produtor em letras pequenas em um cantinho do rótulo ou no contrarrótulo (atrás da garrafa). No rótulo do Amelia Pinot Noir 2017, por exemplo, pode-se ver a logomarca da Concha y Toro (o produtor) impressa sutilmente ao lado direito do nome.

  • Variedade ou apelação

Neste ponto os rótulos podem ser um pouco confusos. Quando informam a variedade ou o blend de variedades com qual o vinho foi feito, é simples, não? Chardonnay, Syrah ou Pinot Noir podem ser algumas das cepas e isto é simples de entender. Mas às vezes o rótulo mostra uma apelação, mas não especifica as variedades. O que isto significa? As apelações estão relacionadas à região de onde o vinho provém, mas abrange mais do que isso: é uma área específica e legalmente protegida, da qual provêm as uvas com que foi feito o vinho informado pelo rótulo. Para proteger a tipicidade e a reputação destes vinhos, muitos países têm suas próprias regras sobre as cepas que podem ser utilizadas, a área de produção e a forma de fazer o vinho (entre outras normas) e, assim, garantir a qualidade e a origem destes vinhos. De uma forma geral, estas regras são muito mais estritas nos vinhos do Velho Mundo. A França, por exemplo, é o país com mais apelações (432) devido à diversidade climática e geográfica do país. O problema é que se presume que o consumidor sabe quais são as variedades de cada apelação, mas nem sempre é assim.

Já o Chile utiliza o sistema de D.O. (Denominação de Origem), uma delimitação geográfica que costuma informar o nome do vale onde foram colhidas as uvas e as variedades com as quais o vinho foi elaborado. Um exemplo é o Amelia Chardonnay 2018, cujo rótulo informa a D.O. Vale do Limarí e Chardonnay, pois é neste vale, precisamente em Quebrada Seca, onde foram cultivadas suas uvas Chardonnay.

De qualquer forma, a origem dos vinhos é um assunto que merece um capítulo à parte porque é muito mais complexo. No entanto, agora você já tem uma ideia do que se trata, o que vai orientar você na próxima escolha.

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  • Safra

A safra se refere ao ano em que foram colhidas as uvas com que o vinho foi produzido. Esta informação também é importante pois as condições climáticas (que marcam o perfil da fruta e influem diretamente nas características do vinho) são diferentes de um ano para o outro. É o que aconteceu no Chile, por exemplo, com a Extraordinaria Cosecha 2018, uma safra excepcional e única para a colheita das uvas tintas, que deu origem a vinhos de grande qualidade como o Marques de Casa Concha Carmenere 2018. Se o rótulo não informa a safra, é provavelmente porque se trata de um blend de safras diferentes.

  • Teor alcoólico

A porcentagem de álcool de um vinho também é um indicador importante pois o vinho terá um sabor mais ou menos alcoólico. Além disso, um vinho com teor alcoólico mais elevado também poderia ter sabor de frutas mais maduras, já que o teor alcoólico está diretamente relacionado à quantidade de açúcar que as uvas tinham ao serem colhidas.

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