Como o mundo moldou nossa forma de saborear o vinho

access_time 2020 · 03 · 13

Quando você toma uma taça de vinho pela primeira vez, você começa a participar de uma cultura milenar. O vinho alimentou impérios e navegou pelo mundo todo, e hoje em dia é uma das combinações mais interessantes de agricultura e expressão artística que você vai encontrar. 

Então junte-se a nós para explorar onde o vinho e a história se encontram, como a bebida influenciou as culturas e como a história influenciou o vinho. 

Da geografia e das placas tectônicas até a política e os povos, e inclusive no espaço, o vinho tem muitas histórias para contar.

Um começo muito antigo 

Você sabia que a história da elaboração do vinho remonta a 8.000 anos atrás, na Geórgia? A Geórgia é um país mais conhecido atualmente pela recente história soviética e sua florescente indústria petroleira. De fato, o vinho nasceu quase 3.000 anos antes da primeira evidência da linguagem escrita, um indício do verdadeiro interesse do homem pela bebida. A instalação vitivinícola mais antiga conhecida até hoje foi encontrada na Armênia e data de 4.000 a.C. (conhecida como Areni-1). Em 2007 foram encontradas lá uma cuba de 60 centímetros e uma bacia de um metro de comprimento, ambas utilizadas para a produção de vinho. As sementes de uva, o bagaço e as parreiras secas confirmaram que seu uso data daquela época, e nosso entendimento sobre a história do vinho mudou.

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Ph: Cortesia de Gregory Areshian para National Geographic

O romance romano e grego 

Dois dos impérios antigos mais poderosos estavam profundamente envolvidos na produção e no consumo de vinho. Os gregos antigos adoravam Dionísio (ou Baco) e bebiam, dançavam e se liberavam das preocupações e do estresse (como fazemos hoje em dia). Teofrasto, escritor grego do século IV, deixou registros da história da elaboração do vinho, sobre como realizavam amostras de solo e estudavam o que agora chamamos de terroir. Houve inclusive críticos de vinho da Grécia antiga que exaltavam as virtudes de uma uva sobre outra de forma poética. 

Foi na Roma antiga onde começou a modernização, a codificação e o desenvolvimento de técnicas específicas; algumas estimativas situam o consumo anual de vinho romano em cerca de 180 milhões de litros (o que significa uma garrafa por dia por cidadão). O vinho romano era colhido geralmente no final da temporada, como o Sauvignon Blanc da Concha y Toro utilizado para o Late Harvest, de cor âmbar dourado e paladar delicado.

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Ph: Lauren Darrell

Uma safra romana particularmente excepcional era conhecida como Falernian. Uma lista de preços nas paredes de um bar de Pompeia ainda diz “Por uma moeda pode-se beber vinho; por duas, pode-se beber o melhor; por quatro, pode-se beber Falernian.” Parece que a apreciação do vinho de alta qualidade não é uma coisa nova.

Com o passar do tempo

A produção de vinho continuou inalterada em muitos aspectos, até outra data chave da história de sua elaboração. Na Idade Média, as regiões francesas de cultivo da uva tinham se tornado algumas das mais importantes, mas em 1866 o pulgão Phylloxera vastatrix começou um alvoroço no continente inteiro, infectando a maioria dos vinhedos do mundo. Controlar esta praga parecia impossível até 1881, quando a região de Bordeaux permitiu o enxerto de parreiras europeias em raízes americanas e começou o progresso. 

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Foto do GuildSomm. “The Phylloxera or Grapevine Louse, and the Remedies for its Ravages.”, Special Collections, Shields Library, University of California

Curiosamente, os vinhos do Novo Mundo cultivados no Chile foram bem pouco afetados (e na maioria dos casos, nem chegaram a ser afetados). Devido a isto, muitos afirmam que o vinho do Chile é um dos vinhos mais puros e com a melhor linhagem encontrada hoje em dia, tendo recebido as primeiras parreiras europeias apenas 20 anos antes de a propagação da praga começar.

Geologia e tectônica

A história deixou sua marca na produção e no desenvolvimento do vinho, mas também há outros fatores envolvidos. Junto com a erupção do Vesúvio em 79 d.C., que freou a produção de vinho romano (que depois se recuperou de maneira enfática), a atividade vulcânica mudou o aspecto da produção de vinho. 

A altitude, o solo e a idade da parreira se unem às características únicas do vinho cultivado nas regiões vulcânicas de Lanzarote, Pantelleria, Sicília e no vale do Maipo, no Chile, onde é produzido o vinho Marqués de Casa Concha Cabernet Sauvignon. Os solos de drenagem rápida de basalto, granito e obsidiana geram condições semiáridas como as deste vinho, famoso pela concentração de sabores, taninos firmes e uma sedosa sensação na boca.

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Olhando para o infinito e além

O universo da produção de vinho está principalmente ligado à Terra, mas talvez esse não seja sempre o caso. O desenvolvimento e as mudanças no vinho através da doença, da geografia e da cultura estão claros, mas o que acontece com o movimento humano em direção a um novo território como o espaço?

Nos anos 70, Buzz Aldrin bebeu uma pequena quantidade de vinho da comunhão na lua, e em 2016 a China enviou cepas experimentais ao espaço. O Sistema de Produção de Vegetais da Nasa poderia inclusive ver variedades de parreira anãs levadas à Estação Espacial Internacional. Alguém aí está pronto para provar o primeiro vinho fora do planeta?

 

Header Ph: Greek Boston

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