Concha y Toro

Ania Smolec 19/07/2012

Pan de Azúcar: as delícias de um oásis no deserto mais árido do mundo

Convido vocês a uma viagem mágica ao norte do Chile, ao Parque Nacional Pan de Azúcar.

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Nada mais relaxante do que o som das ondas do mar e o canto dos pássaros, além de uma comida deliciosa compartilhada com os entes queridos. Convido vocês a uma viagem mágica ao norte do Chile, ao Parque Nacional Pan de Azúcar.

O Parque Nacional Pan de Azúcar está situado 45 km ao norte da cidade de Chañaral. Esta joia da natureza, em um terreno de apenas 20 km de leste a oeste, combina quatro conjuntos ecológicos de características bastante contrastantes: a costa está delineada por fantásticas praias de areia branca; uma série de vales corre pelo parque; as colinas da costa, que se elevam a 800 m, permitem vistas espetaculares; e ao leste se estende o deserto mais árido do mundo.

Em alto-mar se encontra a Ilha Pan de Azúcar, que é o lar dos pinguins de Humboldt e aves marinhas. O parque está povoado por 103 espécies de aves, bem como por guanacos, raposas e uma colônia de lobos-marinhos.

A camanchaca, a típica neblina do Norte que pousa sobre a costa, possibilita a ocorrência no parque de uma flora única que contrasta com sua localização no deserto. Depois da chuva florescem os cactos nos barrancos. Este parque é um dos melhores lugares do Chile para ver o deserto florido e espécies extremadamente raras de cactos (27 espécies, das quais 21 são endêmicas).

Em tempos pré-colombianos estas terras foram habitadas pelos changos, habitantes seminômades da costa. Alguns de seus artefatos arqueológicos, como cerâmica e pontas de flecha, ainda podem ser encontrados, caso tenham sorte.

O parque pode ser acessado pela Caleta Pan de Azúcar, uma pequena comunidade de pescadores. Ali podem ser alugados quartos e recolher toda a informação possível de um centro de informações turísticas. Também podem ser alugadas cabanas, perfeitamente alinhadas em uma praia deserta localizada atrás da aldeia de pescadores.

Parque Nacional Pan de Azúcar | CC Aaron Bornstein (Flickr)
Parque Nacional Pan de Azúcar | CC Aaron Bornstein (Flickr)

É um lugar silvestre e que lhes permitirá um contato com a natureza absoluto. No povoado podem comprar peixe fresco e preparar um rápido ceviche. Tão simples assim é o prazer que nos brinda o mar! Naturalmente podem encontrar preparações clássicas e outras muito modernas e sofisticadas em restaurantes de Santiago, mas hoje quero apresentar receitas marinhas com alma chilena, da mesma forma como são servidas nos lares dos povoados litorâneos. Garanto que encontrarão sabores gloriosos, que definitivamente merecem deliciosas harmonizações com vinhos.

A forma mais básica de comer os frutos do mar é pescá-los, limpá-los e comê-los crus imediatamente. Por isso em povoados como Caleta Pan de Azúcar podem desfrutar de deliciosos ceviches, mas também de muitos frutos do mar crus. Uma das espécies mais características do Chile são os ouriços. Os especialistas culinários dizem que são os mais saborosos do mundo graças à presença da corrente fria de Humboldt. Possuem uma textura maravilhosa e um sabor marinho, iodado, que nos deixa sem palavras. Provei com praticamente todos os estilos de vinho e minha resposta para esses ouriços é atrevida: Provem com Casillero del Diablo Pinot Noir.

locos

Porém muitos frutos do mar são delicados, finos, com um sabor de mar e sol. Para ummariscal” (um mix de frutos do mar com um tipo de molho verde feito de cebola, coentro e salsinha), um ceviche de “ostiones” (tipo de ostra) ou um refrescante coquetel de “machas” (fruto do mar típico chileno), recomendo o refrescante e cítrico Casillero de Diablo Sauvignon Blanc.

Um dos frutos do mar de textura mais firme e de caráter são os “locos”, os abalones chilenos. A forma mais popular de comê-los é fervê-los e simplesmente servi-los com maionese. Neste caso, recomendo Casillero del Diablo Devil’s Collection White, com seu refinado bouquet de toranja, pêssego e flores.

Cozinhar é uma das maneiras mais primárias de modificar os ingredientes crus. O que pode reconfortar mais nosso estômago e coração que um caldo de congrio, servido com batatas, cebola em julienne e verduras! Para este emblemático prato costeiro, recomendo abrir uma garrafa de Casillero del Diablo Chardonnay. Seus aromas cítricos, de damasco e biscoitos amanteigados terão como resultado uma harmonização divina.

empanadas fritas

Já falamos sobre as clássicas empanadas assadas de pino (carne), porém não se esqueçam das empanadas fritas de frutos do mar. São uma verdadeira delícia! Como sabemos, a fritura e a presença de queijo é uma mistura farta, um pouco pesada, por isso para refrescar nosso paladar e realçar o sabor dos mariscos necessitamos um vinho como Casillero del Diablo Sauvignon Blanc ou Casillero del Diablo Devil’s Collection Brut. Este último vinho é também um acompanhamento celestial para lulas fritas.

Agora quero apresentar para vocês uma receita fácil e sedutora, que representa a costa chilena, mas também o altiplano, pois os Andes nunca se distanciam muito do Pacífico. Se trata do cancato, uma receita de origem indígena que contém peixe e linguiça. Para isso necessitamos um vinho de corpo firme, mas ao mesmo tempo com uma gostosa acidez, como Casillero del Diablo Viognier. Aproveitem!

Cancato

Ingredientes para 4 pessoas

  • 4 pedaços de peixe, por exemplo corvina
  • Sal e pimenta
  • 4 linguiças cortadas em rodelas
  • 2 tomates grandes, cortados em lâminas
  • 8 lâminas de queijo tipo Gouda
  • 2 dentes de alho picados
  • Orégano a gosto
  • 4 colheres de manteiga
  • Salsinha, um ramo inteiro
  • Meia xícara de vinho branco
Cancato de salmón. En Mar Chileno (p. 143), por Gloria Frugone, 2012, Chile: Aguilar.
Cancato de salmão. Mar Chileno (p. 143), Gloria Frugone, 2012, Chile: Aguilar.

Preparação

  1. Temperar o peixe com sal e pimenta
  2. Cobrir cada pedaço com uma colherada de manteiga, um pouco de alho, rodelas de linguiça, uma lâmina de queijo e rodelas de tomate. Salpicar orégano seco por cima.
  3. Assar em uma grelha por uns 12-15 minutos.
  4. Durante o período de cocção, umedecer um ramo de salsinha em vinho branco e borrifar por cima do peixe.
  5. Servir imediatamente com batatas assadas ou em sua versão mais leve com folhas de alface com um toque de sal, suco de limão e azeite de oliva.