Concha y Toro

Ania Smolec 04/01/2017

Pinhões: frutos sagrados do sul do Chile

Convido vocês ao milenar bosque nativo do Parque Nacional Conguillío, onde crescem araucárias com seus deliciosos pinhões, o fruto sagrado dos mapuches.

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Cada vez são mais numerosos os defensores da alimentação saudável, baseada no que a natureza nos entrega de forma sustentável. As antigas civilizações sabiam disso, e hoje temos que escutá-las. Convido vocês para uma viagem mística ao milenar bosque nativo do Parque Nacional Conguillío, onde crescem araucárias com seus deliciosos pinhões, o fruto sagrado dos mapuches.

O Parque Nacional Conguillío é um tesouro da natureza localizado na Região da Araucania. Pode-se acessar o local desde a capital, Temuco. Dali ainda é necessário viajar outros 150 km. O rei do parque é o Llaima, um vulcão monumental, que às vezes murmura suspiros de fumaça, rodeado por lagoas numerosas e lagos cristalinos.

No parque se encontram várias trilhas de distâncias e níveis diferentes de dificuldade, onde se entrelaçam uma vegetação autóctona milenar e vestígios de dinossauros. O mais recomendado é chegar durante a primavera e verão. Lembre-se que por altura e proximidade aos picos e neves eternas, a temperatura pode ser muito baixa. Não esqueça de levar uma boa jaqueta.

O nome desse parque vem da palavra “Ko-nqilliu”, que no idioma mapudungun significa “pinhões na água” ou “entre pinhões”. Em uma paisagem de beleza pura e imortal, onde abundam nhirres, coihues e raulies, as araucárias são as protagonistas. É uma espécie endêmica chamada araucaria araucana, mas também tem uma dimensão simbólica. Para o povo mapuche (chamado araucano pelos espanhóis) essa árvore do gênero pinus protegia as pedras e os olhos de água e seu fruto era a essência de sua dieta. Para eles, o pinhão ou ngüilliu é sagrado.

pine nutsDeixa-se o pinhão secar antes de consumir. Tem um sabor agradável. As últimas pesquisas mostram que possuem muito valor nutritivo. São fontes de proteína, lipídio, hidrato de carbono e ácidos aminos. Possuem uma alta concentração de amido e fibra dietética que ajuda o sistema digestivo e a prevenção doenças intestinais e cardíacas. Além disso, a resina da araucária era utilizada na medicina mapuche como remédio para úlceras.

Na última década os chefs descobriram as qualidades dos pinhões, tanto pelo seu sabor como pelo seu valor histórico e cultural, e os estão utilizando em inúmeras preparações na alta gastronomia. Com os pinhões é possível obter um amido que compete com o do milho e batata. Também é possível elaborar um óleo que contém 90% de ácidos graxos monoinsaturados e poliinsaturados, muito importantes para reduzir a quantidade de calorias consumidas e prevenir problemas cardiovasculares.

Por sua textura suave e sabor mais neutro, em termos de harmonização devemos prestar atenção nos outros ingredientes dos pratos e nos métodos de preparo. Os pinhões podem ser preparados refogados no óleo, como um tira-gosto. Nesse caso, recomendo uma taça de Casillero del Diablo Sauvignon Blanc. Mas se acrescentamos uma pitada de sal marinho e merquén, sugiro abrir um  Casillero del Diablo Pinot Grigio. A deliciosa acidez desse vinho faz um bom contraponto com o sabor picante do merquén. Também é possível criar um prato vegetariano muito saboroso e saudável, acrescentando verduras como abobrinha, pimentão ou beringela, refogado em um wok. Para terminar essa bela harmonização, você só precisa do frescor e textura do Casillero del Diablo Rosé.

Os pinhões podem acompanhar diferentes tipos de carne. Refogados, processados com leite ou creme, e temperados com ervas, pode ser o molho perfeito para um roastbeef. Mesmo que a carne vermelha normalmente seja servida com um Cabernet Sauvignon, o prato é mais suave graças à influência do molho cremoso de pinhões. Por isso recomendo um vinho tinto de corpo médio e boa textura como o Casillero del Diablo Carmenere.

Pilaw
Pilaw

Agora, se você preparar um purê de pinhões, você tem boa parte da receita. Graças à sua cremosidade e textura é possível substituir os carboidratos e o molho. Sirva o purê, por exemplo, com peru assado. Recomendo um vinho branco com uma cremosidade acolhedora e deliciosas notas frutais como o Casillero del Diablo Viognier.

Os pinhões podem ser parte de alguns outros pratos com carne, como uma receita árabe chamada pilaw, com arroz pedaços de cordeiro, verduras e frutas desidratadas. Nesse caso sugiro abrir uma Casillero del Diablo Shiraz. Por outro lado, misturados com lentilhas você pode fazer uma base para um salmão grelhado e acompanhar esse prato delicioso com um Casillero del Diablo Chardonnay fresco e complexo.

Hoje quero apresentar um tipo de terrina/pão vegetariano que pode ser servido frio com salada, ou quente com um molho delicioso. É um prato vegetariano, mas extremamente saboroso e nutritivo. Agrega vários sabores chilenos, entre eles os pinhões. Acompanhada com uma taça de Casillero del Diablo Devil’s Collection Brut acendemos a chama para começar as festas.

Terrina Vegetariana

Ingredientes para 4 pessoas

  • Manteiga para untar e fritar
  • 2 colheres de azeite
  • 1 cebola picada
  • 4 dentes de alho picados
  • 4 colherinhas de ervas secas: alecrim, orégano, tomilho e cominho
  • Uma pitada de merquén
  • 200g de champignons picados de forma rústica
  • 200g de nozes e pinhões
  • 100 gr de quinoa cozida
  • 200 gr de lentilhas cozidas
  • 75g de farinha de rosca, e mais um pouco para adornar
  • 100g de damascos desidratados picados
  • 2 ovos grandes, batidos
  • 1 colherada de shoyu
  • Sal e pimenta-do-reino moída, à gosto

Terrina vegetariana

Preparação

  1. Em uma frigideira esquente o azeite. Acrescente cebola e alho, refogue.
  2. Acrescente cominho e deixe a cebola refogar até ficar transparente e levemente dourada. Acrescente os champignons e deixe fritar mais 4 minutos. Reserve.
  3. Quando a mistura refogada tiver esfriado, coloque em um processador.
  4. Acrescente lentilhas e quinoa cozidas. Processe até obter uma massa homogênea. Acrescente farinha de rosca, o resto das ervas e merquén, ovos, shoyu e bata por uns dois minutos. Tempere com sal e pimenta-do-reino.
  5. Acrescente a essa massa nozes e pinhões moídos, e damascos desidratados picados. Misture com uma colher de madeira.
  6. Unte uma fôrma com manteiga e salpique com farinha de rosca. Coloque a massa na fôrma (deve ocupar ¾ do espaço).
  7. Assar por 40, 45 minutos a uma temperatura de 180 C. Deixe esfriar a noite toda na fôrma e sirva no dia seguinte, frio ou levemente morno, em uma chapa ou no forno.