Pinot Noir, a cepa que destrói corações

access_time 2020 · 08 · 18

Por se tratar de uma variedade temperamental e difícil de entender, existe um certo orgulho entre aqueles que conseguem realmente cultivá-la e aqueles que descobrem uma boa garrafa. Quando está em boas mãos, o Pinot Noir é daqueles vinhos capazes de levar você a outra dimensão.

Reconhecida como a décima cepa mais plantada no mundo, o Pinot Noir também é uma das mais antigas. Com suas origens na famosa região da Borgonha, acredita-se que esta delicada variedade tinta seja pelo menos mil anos mais antiga que o Cabernet Sauvignon. Plantada principalmente na França, Alemanha e Estados Unidos, a verdade é que esta uva hoje pode ser encontrada em todos os países produtores de vinho, inclusive nas regiões mais recônditas. E sem precisar ir tão longe, no Chile há excelentes Pinot Noir procedentes dos vales de Aconcagua, Casablanca, Limarí, San Antonio e, inclusive, do extremo Bío-Bío. Você ainda não provou? O Marques de Casa Concha Pinot Noir Edición Limitada 2018 é um excelente exemplo do sabor do Pinot Noir do sul do país.

E existe, na verdade, um certo romanticismo ao redor desta uva.

Pelo fato de os frutos terem uma casca extremamente fina e nascerem em cachos muitos fechados, o Pinot Noir é mais suscetível que as outras variedades a sofrer com o apodrecimento, fungos e mudanças bruscas de temperatura. Encontrar o lugar adequado, com a combinação necessária de solo e clima frio, é outra das dificuldades relacionadas à sua produção. Por isso, é considerada a variedade mais difícil de ser cultivada e tem a fama de ser “a cepa que destrói corações”.

Da mesma forma que ocorre nas relações pessoais, esta uva requer muito tempo e esforços por parte dos enólogos para ser cultivada com sucesso. Trata-se de um desafio constante, do início ao fim, desde o vinhedo até a adega, e cujos resultados poderiam trazer tristeza e sofrimento –como às vezes também acontece com o amor. Mas quando tudo dá certo, é daqueles vinhos que fazem você se render aos seus pés. Uma boa taça de Pinot Noir é capaz de transformar lágrimas de frustração em alegria, e de fazer com que aquela luta no vinhedo tenha valido a pena.

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Quando a cepa está em boas mãos, é possível obter grandes vinhos capazes de levar você a outra dimensão. O Pinot Noir é um vinho sutil, de corpo leve, com poucos taninos e baixo teor alcoólico. Seus principais aromas estão relacionados a frutas vermelhas, como morango, framboesa e cereja, ao mesmo tempo em que predomina comumente uma nota distintiva de fungos como cogumelos. Se você não conseguir identificá-la, lembre-se do cheiro de floresta ou de terra molhada. Além disso, o Pinot é uma variedade transparente, capaz de comunicar no vinho seu lugar de origem. É o caso do Amelia Pinot Noir 2017 e do Marques de Casa Concha 2018, cultivados nos solos calcários do vale do Limarí, a somente 30 km do oceano Pacífico. São dois vinhos que refletem na taça o frescor e a mineralidade do lugar, com fruta madura e suculenta, irresistíveis de beber; dois vinhos de caráter grande, mas delicado.

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Considerado um dos vinhos mais refinados do mundo, o Pinot Noir também é a base –junto com o Chardonnay e o Pinot Meunier– dos reputados vinhos da região de Champagne. Graças à cor quase transparente, a cepa pode ser utilizada na elaboração de vinhos brancos, rosés, espumantes e, é claro, dos sedutores tintos leves que normalmente conhecemos como Pinot Noir.

Esta variedade também se destaca pela grande versatilidade na hora de beber. Vai bem inclusive com cozinha mexicana e italiana, cria uma combinação deliciosa quando harmonizada com pato, mas é também um acompanhamento incrível para peixes. E nem precisa dizer com queijos. Se você se animou, abra uma garrafa de Casillero del Diablo Reserva Pinot Noir 2018 e veja você mesmo.

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No final, a melhor harmonização é aquela que você mais gosta. Saúde e um feliz dia do Pinot Noir!

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