Por que se realizam mesclas de diferentes cepas?

access_time 2019 · 11 · 04

Por que não poderiam existir somente os vinhos de cepas individuais? 60% Cabernet Sauvignon, 30% Syrah, 10% Carmenere… Não é estranho encontrar fórmulas quase matemáticas nos rótulos das garrafas? Convido você a conhecer a arte da assemblage.

Para todos os seus admiradores, o vinho é um alimento, uma bebida deliciosa e saudável. Por trás de sua produção, há muita ciência, mas também há um fator artístico. A natureza nos oferece cepas de uva, também levedura e, acima de tudo, uma combinação de condições climáticas e geológicas na vinha. Mas, para obter um vinho rico por natureza, entregamo-nos às mãos de um enólogo, que interpreta todas essas condições e utiliza várias ferramentas para obter os melhores resultados possíveis. 

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Uma destas ferramentas é a mescla. Na maioria dos casos, o vinho é mesclado após a fermentação, no final do processo de vinificação, mas às vezes isto é feito após o envelhecimento do vinho, pouco antes do engarrafamento. Inclusive, há produtores que decidem mesclar as diferentes variedades desde o início do processo de vinificação, o mais rápido possível, para que as distintas uvas alcancem a máxima integração. Finalmente, as diversas variedades podem ser cofermentadas, ou seja, colher as bagas de um mesmo campo e vinificá-las ao mesmo tempo. 

Este tema é muito complexo e os enólogos devem ter muito conhecimento das cepas e suas vinhas, mas, também, experiência para obter o melhor vinho. A ideia é sempre que a soma das partes proporcione um produto superior. Portanto:

  • Podem-se mesclar diferentes cepas, bem como uvas da mesma região ou vale, quer dizer, de diferentes apelações. Isto se aplica ao Chile, porque em alguns países produtores, especialmente na Europa, cada apelação deve produzir apenas as uvas autorizadas por lei. Vejam, por exemplo, o Marques de Casa Concha Etiqueta Negra feito de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Petit Verdot. 
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Ph:@marquesdecasaconcha
MCC_FInalPh:@marquesdecasaconcha
  • Pode-se mesclar o mesmo vinho, mas de diferentes safras ou colheitas, de acordo com algumas regras específicas. Nesta situação, o ano da colheita não é escrito na garrafa. Isto ocorre no caso do Champanhe, onde a safra somente é destacada quando se trata de uma colheita excepcional. 
  • Podem-se mesclar variedades tintas com brancas, como é o caso de Chianti Classico, onde a Malvasía Branca geralmente aparece em uma proporção menor ao lado da tinta Sangiovese, mas também como 
  • Pode-se fazer uma mistura do campo, o que significa que as diferentes cepas crescem em uma mesma vinha. Elas são colhidas e vinificadas juntas. Esta prática é muito antiga porque facilita a produção do vinho, mas também é um pouco arriscada, pois não todas as variedades atingem a maturidade ideal ao mesmo tempo. Os defensores desta prática garantem que seus vinhos são mais complexos.

Podemos combinar todas as variedades de uvas? Olhe para a natureza, ela sempre tem as melhores respostas: as variedades de uva que se mesclam bem, geralmente crescem nas mesmas latitudes, como o Carmenere e Cabernet Sauvignon, como no Trio Cabernet Sauvignon, onde o Cabernet Sauvignon é acompanhado por Cabernet Franc, ou melhor, o Mourvèdre e Carignan. As melhores mesclas são feitas de forma natural. 

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Ph: @trio_wine

Agora, quero enfatizar que o tema da mescla é diferente no Novo Mundo, onde os enólogos têm mais liberdade e podem brincar com as proporções ou quebrar o sacrum, mesclando, por exemplo, Carmenere (cepa bordalesa) e Syrah (cepa do vale do Ródano) como Casillero del Diablo Red Blend, que está proibido na França. Na Europa, como dissemos, a questão da mescla está estritamente regulamentada por lei. Para poder reclamar a denominação de origem protegida e escrevê-la com orgulho nos rótulos, os produtores estão sujeitos a especificações muito precisas.

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Ph: @casillero_diablo

Por que, então, complicar tanto a vida e misturar variedades de uva? Porque a mescla permite aos enólogos obter vinhos mais complexos e multidimensionais. Por exemplo, algumas cepas podem fornecer uma redondeza a um vinho tinto muito tânico ou com acidez muito pronunciada. Ou adicionar acidez a uma cepa branca voluptuosa, mas que carece de vivacidade. É também uma boa maneira de multiplicar os aromas, já que cada cepa possui um perfil diferente. E, acima de tudo, no caso das propostas Premium, a arte da mescla é uma ferramenta para manter o estilo do vinho em cada colheita, elevando-o sempre ao seu potencial máximo. 

P.S. Um pequeno dicionário dos sinônimos: 

  • Coupage- do francês, significa mescla
  • Assemblage- do francês, se traduz “montagem”, define uma técnica de composição de elementos e um forte fator artístico / criativo do enólogo 
  • Blend- do inglês e significa “mescla”, também usado no mundo do whisky

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