Concha y Toro

Ania Smolec 02/03/2018

Tomate Angolino

No Chile há um tomate bem especial, cujos sabores e propriedades hoje estão sublinhados por sua categoria de Denominação de Origem.

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Redondo e vermelho furioso, é a rainha das saladas de verão. Entretanto, os tomates podem ter diferentes formas e cores. No Chile há um tomate bem especial, cujos sabores e propriedades hoje estão sublinhados por sua categoria de Denominação de Origem. Hoje vamos ao sul do Chile, ao lindo Vale de Angol.

Sua terra natal é a América do sul. Até o início do século XVIII, os europeus não comiam tomate. Pensavam que era venenosa. Suas plantas eram utilizadas apenas como ornamento em jardins. Que ironia da história! Como poderíamos imaginar as cozinhas europeias sem esta delícia, especialmente a italiana

Os tomates são comidos crus, desidratados ou cozinhados, a base de sopas, salsas e marmeladas. É a base de uma alimentação sadia, inclusive alguns cientistas afirmam que ajuda a prevenir o câncer. Os tomates possuem as vitaminas A, B, C, E e K, além de minerais como magnésio, potássio e o famoso licopeno. Este último é um tipo de pigmento, parente do caroteno, que confere ao tomate seu fascinante tom avermelhado ou laranja escuro.

Tomate Angolino

Apesar disso, há um tipo de tomate que tem mais licopeno que as outras. O tomate chileno com D.O. Vale de Angol chamado Cal Ace. É uma variedade bem antiga, de tamanho grande e perfeitamente redonda. Sua casca é lisa e sem deformações. Amadurece bem tarde, porém vale a pena esperar, porque sua polpa é firme, carregada e simplesmente deliciosa.

O Vale de Angol se encontra na Região da Araucania, precisamente na província de Malleco. Entre vulcões, bosques milenários, lagos e rios, profundamente enraizados com a cultura mapuche, acrescentam-se a esta particular fruta como um refulgente sol que se rompe no horizonte. Os solos de origem vulcânica, somado a um fresco clima tipo mediterrâneo, permitem não somente que o tomate amadureça com muita calma, conservando sua doçura e ácidos em perfeito equilíbrio, como além disso nos últimos anos tem sido berço de refrescantes vinhos Chardonnay y Pinot Noir.

Canteras de Deuco, Angol - CC Gnzlndrs
Canteiras de Deuco, Angol – CC Gnzlndrs

Na cozinha local, o tomate angolino se utiliza fresco na salada chilena, acompanhado sempre com fatias de cebola e tiras de pimentão verde. Também para preparar o pebre, esse delicioso picadinho com coentro e cebola, que acompanha tão bem as tortas e carnes da cozinha crioula. Talvez um dos pratos mais tradicionais chilenos é o tomaticán, que consiste em pedaços de carne fritos, acompanhados de milho e salsa de tomates. Este prato é bem convidativo, assim como refrescante e bem típico do verão. Para se apaixonar junto a um Trio Merlot.

São preparadas receitas com tomates frescos, como salada caprese ou gaspacho, eu recomendo o intenso Casillero do Diablo Rosé. Entretanto, agrega-se uma proteína e prepara-se um delicioso linguado à chapa com cubos de tomate fresco macerada em azeite de oliva. Eu recomendo um vinho branco de volume mediano como o Casillero del Diablo Chardonnay.

Pollo Tikka Masala - CC Sriyarao22
Frango Tikka Masala – CC Sriyarao22

Em muitas cozinhas do mundo podem-se encontrar deliciosos pratos com salsa de tomate, como a musaka grega que, embora contenha carne de vaca moída, não necessita de um vinho com uma consistência elevada. Provem esse prato com o Casillero del Diablo Pinot Noir e desfrutarão literalmente dos sabores mediterrâneos deste prato. Algumas comidas orientais também utilizam salsa de tomates, como o famoso frango indiano tikka masala. Esta receita, que já é parte do patrimônio mundial, contém uma imensa variedade de especiarias. Por isso convido vocês a degustá-lo com o refrescante e cítrico Casillero del Diablo Pinot Grigio, que realçará todos os sabores e regulará o sabor apimentado.

Também podemos utilizar tomates desidratados. Os sabores são incomparáveis. Possuem um gosto bem umami e por isso combinam bem com queijos. Recomendo uma bruschetta com parmesão e Casillero del Diablo Devil’s Collection Brut, ou ainda, uma torta salada com queijo de cabra, azeitonas pretas e o Subercaseaux Extra Brut. Não se esqueça que os vinhos espumantes também são ricos em sabor umami, portanto, estas combinações são excepcionais. Finalmente, para a sobremesa, um cheesecake com um sorbet de tomates e, sem dúvidas, um vinho late harvest.

Para mim, os tomates são como as pérolas da cozinha. Destacam-se bem com um encantador e elegante vestido preto, mas também com jeans, camisa branca e sandálias. Sempre carregam um toque fino e diferenciador. Fazem com que tudo tenha um gosto melhor. Em Provença, as chamam “pommes d´amour” (maçãs do amor), porque dizem que possuem propriedades afrodisíacas. Se não acreditam, preparem meus singelos tomates provençais, abram um vinho rosé e observem o brilho nos olhos dos casais.

Tomates provençais

Ingredientes para 2 pessoas

  • 4 tomates angolinos maduros
  • 4 fatias de um pão branco rústico
  • 4 nozes picadas
  • 2 colheres de sopa de salsinha picada
  • 2 dentes de alho picados
  • 1 colher de chá de tomilho fresco
  • Sal e pimenta a gosto
  • Azeite de oliva
  • 2 colheres de queijo Gruyere ralado

Tomates provenzales

Preparação

  1. Aquecer ao forno a 200º C.
  2. Cortar os tomates pela metade, tirar as sementes e a polpa. Pôr em uma bandeja para assar.
  3. Em um liquidificador, triturar o pão com alho, ervas, condimentos, nozes e oliva.
  4. Com a mão, pôr encima de cada tomate. Assar por aproximadamente 15 minutos (a tomate deve estar suave)
  5. Por cima, salpicar o queijo e assar uns minutos mais até que se derreta. Servir quente ou em temperatura ambiente.